Brasil

OMS aprova tratado global para prevenção, combate e controle a futuras pandemias

Os Estados-membros da OMS (Organização Mundial da Saúde) concordaram nesta quarta-feira (1º) em lançar uma mesa de negociação para formular um tratado internacional voltado para o controle de futuras pandemias. O acordo para fortalecer as medidas de mitigação a crises sanitárias deve estar pronto em maio de 2024.

A natureza jurídica do documento, porém, já foi tema de divergência. Enquanto a União Europeia (UE) e outras 70 nações pressionaram por um acordo de efeito vinculativo —com os países sendo obrigados a seguir o que for decidido em seu âmbito—, membros como Brasil, EUA e Índia, alguns dos mais afetados pela pandemia, relutaram em se comprometer, de acordo com relatos de diplomatas à agência Reuters.

A embaixadora Lotte Knudsen, chefe da delegação da UE em Genebra, argumentou em comunicado que o documento precisa ser ambicioso, o que só pode ser demonstrado por meio de um compromisso multilateral e um instrumento juridicamente vinculativo.

Os EUA, líderes mundiais em números absolutos de mortes por Covid, saudaram a decisão, dizendo tratar-se de um passo importante na responsabilidade coletiva para tornar o sistema de saúde global mais forte e ágil. Já a Austrália, por meio da embaixadora Sally Mansfield, que copresidiu o grupo de trabalho sobre o assunto, disse que o texto foi produto de compromissos e francas discussões.

Enquanto o tratado oriundo da decisão apelidada de “The World Together” (o mundo junto) não for finalizado, os 194 Estados-membros da OMS deverão respeitar o Regulamento Sanitário Internacional, documento aprovado em 2005 que, entre outros pontos, obriga os países a alimentarem um sistema de informações sanitárias para diminuir o tempo de resposta em uma emergência.

Segundo o cronograma publicado pela OMS, o corpo de negociação intergovernamental escolhido para redigir o acordo realizará a primeira reunião em março de 2022, com o objetivo de estabelecer os procedimentos de trabalho e os prazos. Seis meses depois, a segunda reunião discutirá o andamento dos trabalhos. Audiências serão realizadas, e um relatório deve ser entregue à Assembleia Mundial da Saúde em 2023. O resultado, enfim, será levado para o órgão em 2024.

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, parabenizou os países-membros e disse que o importante, nos próximos passos, é a superação das diferenças. “É claro que ainda há um longo caminho pela frente, com divergências sobre o que um novo acordo pode ou deve conter.”

“Na semana passada, este vírus demonstrou que não irá simplesmente desaparecer”, seguiu o etíope. “Quantas vidas ainda serão perdidas e quais os meios de subsistência para enfrentá-lo são questões que dependem de nós.”

Vacinação pelo mundo

A aprovação da iniciativa para o novo tratado internacional sobre pandemias já era gestada há meses —governantes como a ex-primeira-ministra alemã Angela Merkel e o presidente francês Emmanuel Macron apresentaram proposta semelhante em março—, mas teve um impulso final: a identificação da variante ômicron do coronavírus.

A nova cepa, potencialmente mais transmissível, foi sequenciada pela África do Sul na última semana e já se espalhou pelos cinco continentes. Autoridades sanitárias da Nigéria informaram nesta quarta que os primeiros casos da ômicron foram confirmados no país. Uma das amostras com a cepa, porém, é de outubro, o que sugere que a variante surgiu antes de ser sequenciada pela África do Sul.

Postagens relacionadas

Cirurgias veterinárias podem ser suspensas para reduzir uso de insumos

Redação

Ministério da Justiça vai leiloar bens apreendidos de traficantes

Redação

Mesentério: cientistas descobrem novo órgão do corpo humano

admin