Política

O declínio dos partidos de esquerda e progressistas nas eleições

O Idiota.

No Amazonas, o resultado das últimas eleições demonstra que os partidos políticos de esquerda ou declarados nos seus estatutos como de vertentes socialistas, igualitários e libertários, encolheram nos espaços de poder político e na sociedade civil, expondo a necessidade de rever suas estratégias de organização, de comunicação e suas relações com a população.

Nas eleições de 2022, o partido dos trabalhadores – PT no Amazonas perdeu a única representação na Câmara dos Deputados e manteve o antigo parlamentar estadual; o Partido Socialista Brasileiro – PSB, não reelegeu o longevo deputado Serafim Corrêa, voz solitária do partido na Assembleia Legislativa; o Partido Democrático Trabalhista – PDT não elegeu ninguém, assim como o Rede Sustentabilidade, o Partido Comunistas do Brasil – PC do B e o Partido do Socialismo e Liberdade – PSOL; e outras legendas com o Partido Comunista Brasileiro e o PSTU sequer lançaram candidaturas. Foi um retumbante fracasso!

Alguns desses partidos já foram protagonistas de grandes embates eleitorais e de movimentos políticos. Unidos, o PC do B, PDT, PCB, PSB e o PT, alcançaram a posição de segunda força política do Amazonas, com o Muda Amazonas, a Frente Brasil Popular Amazonas, o Reage Amazonas e o Chegou a Hora, elegendo vereadores, deputados estaduais e federais, prefeitos de Manaus e do Interior.  A realidade é bem diferente nos dias atuais.

Reeleição David Almeida
Carlos Santiago é Sociólogo, Advogado e pós-graduado em Ciência Política.

No presente contexto político, levando em consideração as estratégias políticas do passado e do presente, a união das siglas ou a disputa sem coligação, os extremismos ou as grandes alianças e as coligações eleitorais com partidos e partidários da direita, é possível afirmar que o PT, PC do B, PDT e PSB diminuíram e outros como o Rede Sustentabilidade, o PSOL, o PCB e o PSTU continuam nanicos. Uma realidade que requer mudanças.

As mudanças não são fáceis: será que existe vontade para renovação das direções partidárias?  Será que são capazes de entender a nova dinâmica do mundo real, com as novas crenças religiosas, novas modalidades de organização social, novas formas de trabalho e de economias? Será que vão investir em comunicação digital? Será que vão ser capazes de fazer funcionar os partidos o ano todo com formação política e aberto à sociedade? Será que entenderão que é preciso uma agenda de gestão pública para o estado e para as cidades com participação popular, com propostas e respostas para resolver os graves problemas do Amazonas?  Promover mudanças nos partidos é difícil. Porém, as condições objetivas mostram essa necessidade.

A realidade do Amazonas é campo fértil para crescimento de partidos com vocação igualitária e libertária. A pobreza só cresce, os pedintes estão em todos lugares; os indicadores educacionais são péssimos e a educação infantil ainda é para poucos; crescimento de homicídios, de violências contra mulheres, pretos e indígenas são expostas; a saúde tem fila enorme para cirurgias e a assistência básica não tem cobertura pra todos. Então, a quem recorrer?

Ademais, o transporte coletivo é precário; o transporte sob os rios é desconfortável e caro; ato político é bem tradicional, sem transparência, as decisões estão distantes da população e carregam escândalos de corrupção; os poderes e os órgãos estão desgastados e agarrados aos seus benefícios. Então, a quem recorrer?

Ora, a mudança para melhor é importante em todas as siglas partidárias, em especial, naquelas em que o declínio eleitoral e a limitada relação com a sociedade são reais. É necessária e fará muito bem à democracia.

Postagens relacionadas

Tribunal de justiça suspende CPI da Amazonas Energia na Aleam

Williams Lima

CPI ouve servidora Regina Célia Oliveira sobre compra da Covaxin

Redação

Saiba as datas dos próximos debates presidenciais no segundo turno

Redação